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terça-feira, 29 de julho de 2014

"SER O QUE REALMENTE SE É" (Soeren Kierkgaard)

Fonte: Pinterest
Esta frase é um convite de Kierkgaard a sermos quem realmente somos  e nos traz diversas reflexões. Proponho algumas:

Até onde nos conhecemos?

Até onde somos inteiros?

Até onde o medo domina?
Até onde o medo nos encaminha?

Até onde a consciência chega?
Ate onde o inconsciente tem vazão?

Até onde a raiva nos leva?
Até onde a compaixão nos aproxima?

Até onde queremos ir?
Até onde a culpa nos leva?
Até onde as obrigações nos têm levado?

Até que ponto a dor do outro nos afeta?
Até onde nós afetamos o outro?
Até onde a distância é considerada boa?
Qual a proximidade que sufoca?

Até que ponto silenciamos urros que nos sufocam?
Até onde gritamos?

Aliás, o que temos gritado?

Até que ponto somos essencialmente nós?
Onde deixamos de ser essencialmente nós?

Até onde eu me percebo?
Até onde eu tenho controle?
Qual o sintoma que fala por mim?

Tantas são as questões que envolvem nossa existência. Será que conseguiríamos responder a todas estas questões e tantas outras que poderiam surgir?
O conhecer-se é um processo apaixonante.
Às vezes um pouco doloroso, mas apaixonante.
Quão rico é o despertar para as influências que recebemos de nossa história de vida e, às vezes, não temos consciência. Para haver mudança é preciso tomar conhecimento daquilo que nos diz respeito. Apropriar-nos de nossa história, da nossa gestação, da nossa infância, nosso desenvolvimento e crescimento.
Quantas dúvidas e inseguranças parecem surgir quando nos dispomos a entender um pouco mais sobre quem somos.
O ambiente da terapia é importante neste processo. Trata-se de um local acolhedor, seguro e acima de tudo de compreensão.
Muitas vezes não se sabe exatamente quem se é, em sua essência mais pura, mas se sabe sob qual fachada se tem vivido e da qual se quer tornar livre. Qual é esta fachada em sua vida? Quais os medos que a sustentam? Quais expectativas externas se procura cumprir? (recebidas da família, amizades, cultura).
Tal processo exigirá de ti coragem e determinação para caminhar sempre, tendo em vista que o conhecer-se é um processo contínuo. Exigirá de ti empenho e responsabilidade  para se desfazer de bagagens antigas e pesadas que tem carregado, até mesmo sem saber, ao longo de toda a sua história. Mas a autonomia que você alcançará por meio deste trabalho de entendimento e auto conhecimento é libertadora.
Assim como o autor propôs, deixo hoje o meu convite para você: Busque conhecer-se melhor e cada dia mais. Apaixone-se pela sua vida e se aproprie verdadeiramente dela.
Se preciso busque um profissional capacitado para te auxiliar nesta viagem.

E, então, desfrute da maravilha de ser quem VOCÊ realmente é!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Na fotografia da vida: tripé ou liberdade?

Fonte: google

Jorge é um fotógrafo e enquanto se prepara para registrar o amor de uma família, a união de um novo casal ou o momento da gestação de um filho ele pensa e decide qual a melhor opção para aquela situação. Existe dentre várias possibilidades a opção de usar um tripé.
Mas para que serve o tripé? Se você perguntar ao nosso fotógrafo, ele te dirá que uma de suas funções é garantir a estabilidade para trabalhar, evitando vibrações, movimentos involuntários e outros pontos importantes para uma boa qualidade da foto. Entretanto, nem sempre o uso do tripé é necessário e por muitas vezes a liberdade de se locomover rapidamente com a câmera e captar a espontaneidade dos clientes é essencial.
Em sua vida pessoal Jorge também tem suas dúvidas no que diz respeito a quando manter a “comodidade” de sua vida, garantindo assim a estabilidade que o tranquiliza e quando é necessário fazer as mudanças que lhe trarão melhorias.
E é sobre este assunto que eu quero falar com vocês hoje: estabilidade x mudança.
Você já se sentiu paralisado em algum momento? Qual situação te deixou assim?
Já sentiu como se algo te incomodasse ou até mesmo te tirasse o sono?
O que você costuma fazer com estes pensamentos e sensações?
É certo que nós normalmente não paramos para pensar sobre estas questões. Muitas vezes deixamos estes questionamentos e sensações de lado para conseguirmos seguir adiante e viver nossa rotina já programada, cumprir nossos compromissos e ser aquilo que nos comprometemos a ser um dia. Isso porque a sensação de que algo não está certo nos gera desconforto, nos traz a sensação de desorganização.
Inúmeros são os exemplos para aquilo que nos incomoda: (1) o trabalho que não nos realiza, (2) a rotina que não nos agrada, (3) o namoro ou casamento que não vai bem, entre outros. Ao sentir que não cabemos mais na realidade que temos, surge a necessidade de nos reinventar. Mas como? Onde iremos nos encaixar se mudarmos? Se formos diferentes? 
É...nosso mundo terá que mudar e nós precisaremos nos deixar perder,  para ser possível nos encontrar.
Perder-se! Quão difícil é sair de nossa zona de conforto, não é?
Se pensarmos no nosso cotidiano já nos propusemos algumas vezes a mudar; mudar de vida, de emprego, de curso, enfim, mudar. Mas ao tentar abandonar antigos comportamentos e atitudes nos sentimos desconfortáveis e retomamos a forma original.
Estes comportamentos e atitudes que fazem parte da nossa rotina faz com que nos reconheçamos; mesmo que sejam disfuncionais. Ou até, que não seja o mais saudável para nós.
Manter aquilo que nos é familiar permite que nos reconheçamos, ainda que exija um grande esforço para viver. Pergunto novamente: O que te prende aquilo que você é hoje, mas que não corresponde a tua essência? O que te faz sofrer, mas que de alguma forma te permite viver?
Manter-nos naquilo que nos é conhecido ou rotineiro nos permite saber do futuro, ou pelo menos tentar programá-lo. Por isso é tão difícil abandonar estas “supostas certezas”em busca daquilo que nos fará sentir mais realizados. A dúvida é: se você se permite perder, que futuro terá?
Se você se entregar à aventura de procurar o que te faz sentido como saberá o que irá encontrar?
Mas por vezes precisamos perder aquilo que de que não mais precisamos. Sempre há tempo de recomeçar. Por vezes o medo nos paralisa impedindo que busquemos aquilo que fará mais sentido em nossa vida, quer seja um trabalho, um alguém, um gesto para com o outro, etc.
Nesta busca pelo que faz mais sentido, a psicoterapia pode ser uma grande aliada. A terapia nos permite o autoconhecimento; a compreensão do que buscamos alcançar, o que tem nos impedido de buscá-lo e até mesmo como trilhar este caminho. Viver plenamente inclui a realização do sentido de nossas vidas.
Cada um possui um sentido único/particular e é de nossa escolha e responsabilidade buscar compreendê-lo e colocá-lo em prática. É preciso coragem, mas o maior presente que se pode receber em troca é o caminho e as possibilidades que se abrem diante de cada um que se coloca verdadeiramente neste processo.
Em nossa vida nos deparamos em muitos momentos com a dúvida de Jorge; usar o tripé ou a liberdade para criar. Parafraseando Clarice Lispector deixo-te uma pergunta: Qual a terceira perna que faz de ti um tripé estável, mas que te impede de caminhar?
Ou ainda: O que você fará? Permanecerá com a terceira perna ou se aventurará na busca por aquilo que te faz sentido?






quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Transformando sofrimento em crescimento!

Fonte: Google

Será possível transformar o sofrimento que uma doença terminal provoca em algo positivo? Como sair fortalecido após uma catástrofe natural? É possível que a dor seja uma oportunidade de crescimento? Sim, é possível e a isso damos o nome de resiliência.
Resiliência é um termo emprestado da física e que remete a “propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após serem submetidos a uma deformação elástica”. Na psicologia este termo foi adaptado para designar a capacidade que os seres humanos possuem de ressurgir diante das adversidades. Capacidade de sofrer com o impacto causado pela dificuldade e, então, superar o sofrimento e o fator que o causava. Para resumir, cito Mahfoud e Silveira (2008, p. 03) que definem a resiliência como “a capacidade de transformar uma situação de dor em possibilidade de crescimento, ou a “capacidade humana para enfrentar, sobrepor-se e ser fortalecido ou transformado por experiências de adversidade”.
As diferentes fases de nossas vidas trazem possibilidades de eventos negativos. Entretanto, temos alguns fatores ou mecanismos de defesa que nos permitem diminuir as circunstâncias desfavoráveis. Por exemplo, adaptabilidade, enfrentamento efetivo, resistência a destruição, condutas vitais positivas, entre outras. Mas, entre os fatores protetores, o mais importante é o relacionamento de apego seguro entre o sujeito e uma pessoa significativa. É o suporte e a presença motivadora que esta pessoa fornece ao sujeito.
Todo ser humano busca um sentido para a sua vida; esta é a sua principal força motivadora. O sentido pode ser circunstancial, referente ao momento presente/uma situação que se esteja vivendo ou corresponde aquilo que se considera a sua missão de vida. As pessoas são chamadas a viver o sentido de suas vidas em cada situação que ocorre, respondendo com aquilo que mais tem sentido naquela situação.
O sofrimento faz parte da vida, mas as dores que podem ser evitadas devem ser evitadas. Porém, em momentos de sofrimento inevitável o que se pede da pessoa é que SUPORTE a incapacidade de compreender o por que daquilo; porque a vida possui um sentido incondicional que independe das circunstâncias.
A vida possui sentido em cada momento e em sua plenitude. Para vivenciar estes momentos de dificuldades podemos nos utilizar de alguns recursos. Por exemplo:

(1)  Autodistanciamento: que é a característica especificamente humana de distanciar-se de si mesmo. Um meio para que isto ocorra é o humor. De acordo com Frankl (citado por Mahfoud e Silveira, 2008), o humor permite rir ou sorrir apesar da tragédia. Quando o sujeito ri, ele se distancia do problema, coloca-se acima da situação para que seja possível dominá-la; e
(2)  Autotranscendência: o ser humano, como já dito em outros posts, é abertura para o mundo, é relação e por isso se volta para algo ou alguém diferente de si mesmo. De acordo com Frankl, “Ser humano significa ordenar-se em direção a algo ou a alguém: entregar-se a uma obra a que se dedica, a uma pessoa que ama, ou a Deus, a quem serve”. A pessoa se auto-realiza quando esquece de si mesmo e se dedica a algum trabalho ou pessoa.

A principal força motivadora de uma pessoa é a busca pelo sentido de vida. De acordo com Cyrulnik, citado por Mahfoud e Silveira (2008), “uma parte da pessoa, sofrendo um revés, produz necrose (degenera), enquanto outra parte “reúne, com a energia do desespero, tudo o que pode continuar dando um pouco de felicidade e de sentido à vida”. A busca pelo sentido é a motivação para construir resiliência.
O fato de ter alguém para amar e ser amado, por exemplo, pode ser um motivador para superar momentos difíceis. A fé é outro ponto motivador, permite a pessoa se sentir aceita incondicionalmente. O trabalho que se pretende realizar também pode fazer com que a pessoa supere condições adversas, como é o caso do próprio Frankl (autor aqui citado) que sobreviveu a quatro campos de concentração nazistas.
O ser humano é livre para realizar um sentido e escolher o que vai fazer de sua vida. Esta liberdade está presente em todos os momentos. Dessa forma, construir resiliência é algo que se faz a cada escolha que tomamos. Cada momento bem vivido é, então, algo experenciado de forma positiva e que não pode ser mudado. Mas, vai além disso. É força para viver cada dia melhor e suportar as adversidades.
O importante é encontrar aquilo pelo qual valha a pena viver, algo que nos motive a acordar todas as manhãs e encarar o novo dia e seus desafios.
Para todos nós o sofrimento chega em algum momento, por vezes mais intenso, por vezes mais brando. Para alguns em maior quantidade, para outros em menor quantidade. Precisamos aprender a resistir, ou ainda melhor, aprender a ser flexível. “Dobrar-se sem romper, aprender com a adversidade, dar a volta por cima, superar os traumas e dificuldades, encontrar alternativas. Crescer, renovar-se, reconstruir-se diante da dor. Encontrar recursos” (Mahfoud e Silveira, 2008). Por mais que a presença de pessoas importantes em nossa vida seja uma grande inspiração e suporte para vencer adversidades, mesmo quando não há este amparo, ter um sentido de vida é suficiente para vencer.
Para vencer é preciso ter criatividade, ser capaz de aprender, de superar e crescer. 
A vida é mais do que dificuldades.